O QUE É A DANÇA CIRCULAR?

As Danças Circulares Sagradas são formadas por vários elementos que as caracterizam e estruturam este recurso como uma dança autêntica. Cada elemento que a compõe é dotado de significados e vem sobrevivendo ao tempo e as diversas formas de existir da dança.

Na Dança Circular, como na música, o ser humano tem a oportunidade de enveredar no silêncio interior, cada dançante é convidado ao silêncio inicial, possibilitando esvaziar-se do que o satura, oferecendo um espaço novo para o crescimento e para o acesso a outro ritmo de vida de uma forma mais pulsante. Um recolhimento espontâneo toma conta de suas experiências corporais e a dança se comunica na linguagem sem palavras.

 

O Movimento das DCS é composto por danças e músicas tradicionais, folclóricas e contemporâneas de vários povos e culturas do mundo, por exemplo: gregas, irlandesas, escocesas, israelitas, russas, tibetanas, húngaras, ciganas, indianas, árabes, italianas, francesas, portuguesas, africanas, as nossas cirandas brasileiras e as danças de matriz indígena, xamânicas (ligadas à natureza) e étnicas.

 

As mãos dadas na roda representam a união do céu com a terra, um símbolo de unidade, união dos polos contrários. Na DCS, elas se configuram nas expressões do “oferecer” e “receber”, ou seja, a palma da mão direita virada para cima no sentido de entrega, doação, e a palma da mão esquerda virada para baixo, no sentido de receber. Elas salientam um grau de interdependência, e o desejável equilíbrio das relações entre as pessoas.

O gestual dos braços e mãos pode acontecer basicamente em quatro dimensões: para o alto, evocando a conexão das forças superiores, a busca da energia que transforma nossas vidas; na altura dos ombros, lembrando a nossa dimensão humana, o local de troca entre o céu e a terra, em uma dimensão de agradecimento; para baixo, trazendo a conexão da matéria para a realização humana concreta, no desejo de partilhar. Também podemos identificar o movimento aonde os braços aparecem em forma de cesto, ou seja, a união dos braços e mãos fortemente entrelaçados dos parceiros na roda, o que nos remete a eterna conexão entre os dançarinos e o aprofundamento das relações entre os homens.

Os passos podem ser simples ou elaborados, porém, o mais importante não é execução perfeita da dança, a técnica, mas sim o sentimento de união de grupo. O verdadeiro sentido da dança se explica quando não precisamos mais pensar nos passos, simplesmente se dança: esta é a essência da Dança Circular.

 

A focalizadora é a pessoa que mantém o foco de uma vivência, ou seja, aquele que orienta e apoia os dançantes, dirigindo-os na direção de um objetivo. É a pessoa que ensina os passos coreográficos da dança, dá os comandos, sustenta a energia e alegria da roda.

 
A sabedoria circular e os valores sagrados de culturas ancestrais distintas criam elos na dança e na canção que tocam a alma e nos convidam a reconexão com a nossa própria ancestralidade.